Saturday, March 19, 2005

RHS - 18-SET-2004

Estou sempre a pensar no pensamento
A perder a energia já perdida
A beber sempre mais uma bebida
Quero esquecer o esquecimento

O silêncio é um mal violento
Cair p'ra dormir é uma recaída
Levantar para viver não é vida
Vida é viver bem o momento

A felicidade acaba e passa
Mas o sofrimento para sempre fica
Até que a alma morra e se desfaça

Precisava era duma boa dica
Para combater a minha desgraça
Vida? O que é que isso significa?

Saturday, March 12, 2005

RHS - 12-MAR-2005

As pedras da calçada voadoras
Descalças e desgastadas sem pressa
Como a multidão que a atravessa
Pesadas pisadas desvastadoras

Pedrinhas com almas enganadoras
Embora juntinhas tão sós na peça
Tal como eu sempre sozinho nessa
Teia de multidões não sonhadoras

Teremos sempre uma almofada
Um bloco, um papel, uma caneta
Confidentes de uma vida errada

Seria tão bom ter uma muleta
Apoiar-me por tudo e por nada
Dar-me a mão para sair da sarjeta

Friday, February 11, 2005

RHS - 15-JAN-2005

O amor é um virus doentio
Não há antivirus que nos proteja
Uma doença boa que aleija
Sempre que jogamos mal o desafio

O amor está sempre por um fio
Raramente acaba na igreja
Mas sim em mais um copo de cerveja
Que raio de sentimento sombrio

Mas não acreditar é cobardia
Ser feliz é um enorme desejo
Mas comigo nem isso pediria

Mas não é a felicidade que eu invejo
Já era suficiente a alegria
Que era receber de ti um só beijo

Sunday, February 06, 2005

RHS - 20-MAI-2002

Vivemos num mundo misterioso
Onde a depressão é a incerteza
E a felicidade é a tristeza
De quem tem um passado doloroso

Mas acima de tudo é honroso
Acreditar na única certeza
E assim persistir com muita firmeza
Vivendo na dor mas com muito gozo

De que vale a pena o esgotamento
Quando se tem grandes capacidades
P’ra ultrapassar esse mau momento

Tu tens todas as possibilidades
De sair desse terrível tormento
Que apenas te traz dificuldades

Monday, January 31, 2005

RHS - 21-SET-2004

Precisava de ser reanimado
De matar esta cruel morte lenta
Asfixiar esta vida sedenta
Matar o "eu" que em mim está errado

Queria encontrar significado
Não cair na desgraça que me tenta
É difícil a vida borbulhenta
Ser jovem é acordar ressacado

já não há nada que me entristeça
Tudo serve para que me irrite
E para que a minha dor permaneça

Preciso que a alegria me visite
Para aliviar a minha cabeça
Será que este "viver" tem limite?

Monday, January 24, 2005

RHS - 06-JAN-2003

Estou calmo apesar do sobressalto
Cansado mas cheio de energia
Durmo para despejar a folia
Corro na cama, durmo no asfalto

Sem sair do solo vou dar o salto
Tudo sei não tendo sabedoria
Vivo as tristezas com alegria
E já não durmo p’ra não sonhar alto

Troquei a cama por uma fogueira
Vendi os lençóis e comprei um garrafão
P’ra nunca mais curar a bebedeira

Todo exausto morri sem razão
Depois de esvaziar a garrafeira
Vivi o que não vivera até então

Sunday, January 23, 2005

RHS - 06-JAN-2003

Este mundo está em plena queda
Graças às sociedades modernas
Desde as drogas às malditas tabernas
Até quando vai durar esta merda?

O bem foge e o mal não arreda
O Homem voltou ao tempo das cavernas
Vendendo a alma ou até as pernas
Em troca dum raio de uma moeda

Ressuscitou o materialismo
Em força apoiado pela igreja
E com ele o maldito egoísmo

O Homem não faz nada sem que seja
Pelo dinheiro reinando o cinismo
A vaidade, a gula e a inveja

Saturday, January 22, 2005

RHS - 01-Ago-2004

O mundo inteiro está acordado
Mas eu sonho com a realidade
Sonho? Um pesadelo na verdade
Pois da vida não tenho escapado

O meu sono está a ser perturbado
Pelo egoísmo e crueldade
O mundo e a falta de piedade
Coisas que me têm atormentado

Um sonho tão real que até magoa
Um pesadelo que deixa ferida
Que me fará crescer como pessoa

Não é o acordar que me intimida
É o estar acordado que me enjoa
Será isto sonho? Ou a minha vida?

Friday, January 21, 2005

RHS - 21-JAN-2005

É duro viver p'ra lá da fronteira
É viver com o coração partido
Sempre com o coração dividido
Querendo voltar mas sem ter maneira

Viver longe é sempre uma asneira
Pois cá fica um sentimento retido
Que é ignorado mas não esquecido
A vida prega-nos cada rasteira

De noite só o corpo adormece
A cabeça está sempre distante
Passa a noite numa constante prece

A nossa raiz é muito importante
É o calor da terra que nos aquece
E faz trazer de volta o viajante

Thursday, January 20, 2005

RHS - 07-JAN-2003

Tenho um velho sonho de criança
Mas que jamais será concretizado
Pois nem sequer o tenho planeado
E já não tenho a mesma esperança

Tudo me merece desconfiança
Apenas acredito no passado
Altura em que o sonho foi sonhado
Antes de se dar a grande mudança

Meu sonho deixei na minha infância
Com aquele olhar de miúdo
Que se encontra agora a muita distância

Mas hoje que já se alterou tudo
Por todo o lado vejo ignorância
Quanto mais sonhar, mais me desiludo